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Pesquisa revela ligação entre depressão e lesões cerebrais em pacientes com esclerose múltipla


depressão e lesões cerebrais em pacientes com esclerose múltipla

Uma nova investigação científica aponta para uma possível explicação para a coexistência frequente do transtorno depressivo e da esclerose múltipla. Os pesquisadores analisaram a conectividade cerebral em cerca de 300 indivíduos com esclerose múltipla, focando nas lesões na substância branca. Os achados revelaram uma correlação entre a conectividade funcional das lesões da esclerose múltipla e um circuito cerebral específico, que influencia os sintomas depressivos.


Este estudo, publicado na revista Nature Mental Health, enfatiza que as lesões da esclerose múltipla no mesencéfalo ventral, uma área rica em dopamina, estão diretamente associadas à gravidade dos sintomas depressivos, diferindo de outros sintomas da doença.


Dr. Shan Siddiqi, da Harvard Medical School e diretor de pesquisas no Brigham and Women's Center for Brain Circuit Therapeutics, destacou em entrevista a importância desse achado. Ele sugeriu que tanto a estimulação cerebral focal quanto medicamentos antidepressivos que atuam sobre a dopamina, como a bupropiona, poderiam ser mais eficazes para pacientes de esclerose múltipla com depressão.


Esta pesquisa renova o debate sobre a relação entre a localização das lesões cerebrais e o desenvolvimento de transtornos depressivos em pacientes com esclerose múltipla. Dr. Shan enfatizou a relevância de identificar alvos terapêuticos precisos para tratar eficazmente a depressão nesses pacientes, que frequentemente respondem menos aos tratamentos convencionais.


A equipe de pesquisa utilizou uma técnica de mapeamento da rede de lesões, baseando-se em um banco de dados de conectomas normativos, para analisar a conectividade funcional das lesões cerebrais. Em estudos anteriores sobre transtorno depressivo ligado a lesões cerebrais causadas por acidente vascular cerebral e traumatismo cranioencefálico, eles notaram que as lesões na substância cinzenta causadoras de depressão estavam conectadas a um circuito cerebral comum.


As análises do estudo atual revelaram que lesões mais conectadas a esse circuito específico estavam relacionadas a escores mais altos de sintomas depressivos. Além disso, foi estabelecida uma rede cerebral específica para o transtorno depressivo associado à esclerose múltipla, que mostrou uma alta correlação com a topografia do circuito cerebral previamente associado ao transtorno depressivo.


Lesões poderiam ser alvos eficazes para a estimulação cerebral terapêutica


Os pesquisadores concluíram que os circuitos derivados de lesões poderiam ser alvos eficazes para a estimulação cerebral terapêutica. Essa descoberta abre caminho para novas abordagens no tratamento do transtorno depressivo em diversos contextos, incluindo a esclerose múltipla.


Dr. Theodore Satterthwaite, da University of Pennsylvania, comentando sobre o estudo, enfatizou a importância dessa descoberta, que esclarece por que pacientes com esclerose múltipla frequentemente sofrem de depressão e sugere novos caminhos para terapias de estimulação cerebral.


O estudo foi financiado pela Verily Life Sciences e recebeu apoio de várias instituições, incluindo a Brain and Behavior Research Foundation, a Baszucki Family Foundation e o National Institute of Mental Health. Os conflitos de interesse dos autores, incluindo consultorias e financiamentos, são detalhados no artigo original.




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