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Oncologia de precisão moderniza o combate ao câncer

Entenda o que está na vanguarda da ciência para que os tratamentos oncológicos tenham maior eficiência no controle dos tumores, além de trazer qualidade de vida para os pacientes


Detecção e triagem de câncer como tratamento para células malignas com biópsia ou teste causado por carcinógenos e genética com uma célula cancerígena como símbolo de imunoterapia

O corpo humano é constituído por trilhões de células, que são pequenas estruturas com várias formas e funções específicas. O conjunto delas forma tecidos que, por sua vez, constituem os órgãos. As células desempenham as atividades necessárias para a manutenção da vida, atuando de forma harmônica e integrada.

No entanto, muitas vezes o trabalho das células pode se desviar do propósito. Devido a uma alteração celular/molecular indesejada, é possível que a célula passe a se multiplicar de forma contínua e descontrolada, e esse crescimento desordenado pode dar origem a um tumor. De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer, além da proliferação descontrolada, essa célula se diferencia e perde a função original.

Esse processo de transformação de uma célula normal para uma célula tumoral é o que dá origem ao câncer, a temida doença que acometeu 18,1 milhões de pessoas no mundo e causou 9,6 milhões de óbitos em 2018. A Organização Mundial de Saúde alertou que o câncer pode chegar a atingir 29,4 milhões de pessoas .

Combate ao câncer

O câncer carrega um estigma e traz dilemas emocionais, físicos e estruturais. O paciente, bem como seus familiares, carregam preocupações sobre o tratamento e possíveis efeitos colaterais, como mal-estar e queda de cabelo. No entanto, a ciência atua para reverter esse cenário, trazendo tratamentos promissores que minimizam o sofrimento dos pacientes e elevam as chances de sucesso no combate ao tumor.

Um dos tratamentos mais comuns para o câncer ainda são as quimioterapias, classificadas como tratamento inespecífico, seja oral ou endovenoso. “As quimioterapias agem induzindo a morte celular, buscando células que estão em diferentes fases de replicação. Infelizmente, essa ação não é específica, então qualquer célula que esteja se multiplicando de forma acelerada será afetada”, explica Clara Augusta de Paula, oncopediatra e Líder Médica de Oncologia da Bayer Brasil. Segundo ela, é por essa razão que essa modalidade pode impactar em células que se renovam com frequência, atingindo cabelos, pele, mucosas, levando a efeitos colaterais diversos, como diarreia, vômitos, queda de cabelo.

Por outro lado, a tendência é apostar na chamada “oncologia de precisão”. “Oncologia de precisão é quando se define o tratamento adequado para o paciente, de acordo com o desencadeador do tumor. Isso envolve técnicas específicas de análise molecular. Significa, na prática, trazer uma previsão mais assertiva sobre o benefício do tratamento para o paciente, evitando cirurgias mutiladoras ou o uso de tratamentos inespecíficos agressivos, com efeitos colaterais e pouco controle do tumor”, explica a médica.

O que é a oncologia de precisão?

A oncologia de precisão utiliza técnicas de análise molecular para identificar as alterações genéticas (sejam hereditárias ou não) das células cancerígenas e compreender como elas se comportam. A partir disso, ela avalia as possibilidades de atingir especificamente essas alterações e, assim, controlar o tumor.

Durante a biópsia para a confirmação do câncer, o médico pode solicitar o painel molecular, que é o exame responsável por revelar as alterações no DNA/RNA. “O paciente tem o direito de saber o perfil molecular do tumor, entender e opinar nos tratamentos. A tendência é que o câncer mate cada vez menos e se torne uma doença controlável, permitindo muitos anos de vida”, opina Clara.

Se o tumor apresentar características moleculares com tratamentos já desenvolvidos pela ciência, então o médico pode optar por prescrever um tratamento “preciso”, que vai agir buscando “desligar” especificamente a atividade dessas células anormais, controlando assim a doença. “A oncologia de precisão traz muita esperança, e geralmente o médico aposta muito nisso. O tratamento traz benefícios como sobrevida e redução do tumor, e a duração dessa resposta costuma ser maior do que com os tratamentos convencionais”, explica Clara.

Um exemplo dessa possibilidade é o larotrectinibe, um medicamento que bloqueia a atividade das células que apresentam fusão do gene NTRK. O paciente pode apresentar essa alteração, mas só saberá que ela existe se for solicitada a pesquisa da fusão no tumor.

Lançado neste ano pela Bayer, larotrectinibe tem duas apresentações: em comprimidos e como xarope oral, permitindo que também crianças ou adultos com dificuldade de deglutição possam ser tratados. O medicamento atua em qualquer tumor sólido que apresente a alteração, independentemente de sua localização e tipo histológico, sem efeitos colaterais expressivos.

Mas vale a pena ressaltar que cada tratamento só funciona para o controle do seu alvo específico, ou seja, para tumores que tenham a característica genética correspondente. “Infelizmente, ainda não temos tratamento para todas as alterações moleculares tumorais”, esclarece a médica.

Nos últimos 20 anos, os esforços da medicina trilharam pelo caminho da precisão, criando tratamentos inovadores para doenças degenerativas, reumatológicas, entre outras áreas. Para a oncologia, esse conceito traz otimismo e anima o mercado. “Cada vez mais, entendemos que os tumores são diferentes e precisamos de tratamentos diferentes. O futuro da oncologia vai para a direção de terapia gênica e de precisão. A busca por tratamentos que trazem qualidade de vida aliada ao seu prolongamento é muito importante”, diz Clara.

Entre 2010 e 2015, o investimento de grandes empresas biofarmacêuticas em terapias de precisão quase dobrou. Essas empresas esperam que o número de terapias de precisão em desenvolvimento aumente 69% até 2020. Em todas as fases de desenvolvimento, mais de 70% dos medicamentos oncológicos em investigação são dependentes de dados de biomarcadores2.

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