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Tratamento da DPOC agudizada: a importância do hemograma na otimização do uso de corticoides

Tratamento da DPOC agudizada: a importância do hemograma na otimização do uso de corticoide

Artigo de Dr. Mauricio Wajngarten, explora a relevância de um simples exame de sangue no manejo da DPOC agudizada, uma condição que desafia médicos e pacientes globalmente.


A DPOC, sigla para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, é um vilão silencioso, posicionando-se como a terceira maior causa de morte e a sétima em incapacidade em escala mundial.


Dada a inexistência de uma cura definitiva, a prevenção e o tratamento assertivo das agudizações são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

 

O Dr. Wajngarten, em seu artigo publicado no Medscape, lança luz sobre uma inovação simples, porém revolucionária, no tratamento das agudizações da DPOC: o uso do hemograma para otimizar a prescrição de corticoides.


Este enfoque não só promete aprimorar a eficácia terapêutica como também minimizar os riscos associados ao uso indiscriminado de medicamentos.

 

A DPOC agudizada implica um agravamento rápido dos sintomas, muitas vezes exigindo a intervenção com corticoides e antibióticos. Contudo, a administração padrão de 40 mg de prednisona por cinco dias, recomendada pelas diretrizes atuais, não está isenta de falhas e eventos adversos, como a hiperglicemia, afetando até metade dos pacientes tratados.

 

A chave para uma abordagem mais personalizada e segura pode estar no número de eosinófilos no sangue. Pesquisas recentes, destacadas por Wajngarten, sugerem que este simples marcador pode indicar quais pacientes realmente se beneficiariam dos corticoides em episódios de agudização.


O estudo STARR2, um ensaio clínico de vanguarda, evidenciou que ajustar o tratamento com base na contagem de eosinófilos é tão eficaz quanto a terapia padrão, sem aumentar os riscos de falhas no tratamento ou efeitos adversos.

 

Este avanço sugere uma mudança paradigmática. Cerca de 30% dos pacientes com DPOC apresentam altas contagens de eosinófilos, o que os predispõe a um risco dobrado de agudizações.


O estudo STARR2 revela que, ao identificar esse subgrupo específico, é possível oferecer um tratamento mais focado e eficiente, evitando a exposição desnecessária a corticoides e seus potenciais efeitos colaterais.

 

Contudo, a pesquisa traz à tona questões cruciais sobre a precisão da contagem de eosinófilos e a duração ótima do tratamento, apontando para a necessidade de diretrizes atualizadas que reflitam essas descobertas.

 

Um ponto de reflexão importante levantado por um editorial que acompanha o estudo é a resistência à mudança na prática médica. A hesitação em adotar novas abordagens, como a redução do uso de corticoides em pacientes com baixa contagem de eosinófilos, reflete um desafio maior: o de atualizar as práticas clínicas à luz das evidências mais recentes.

 

Em síntese, a pesquisa discutida por Dr. Mauricio Wajngarten destaca uma oportunidade de aprimorar significativamente o tratamento da DPOC agudizada. Através de uma simples contagem de eosinófilos, é possível personalizar a terapia, reduzindo tanto o risco de efeitos adversos quanto o de falhas no tratamento.


Este avanço reforça a importância da medicina baseada em evidências e da disposição para revisitar e atualizar protocolos clínicos em benefício dos pacientes.

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